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Kleber



K - 18

TIC-TAC

Por Kleber de Sousa

- Bom dia, doutor.

- Bom dia, Carlos. Em que posso ajudá-lo?

- Bem, eu estou com problemas de atraso.

- Ora, Carlos. Se você não for uma mulher e estiver falando daquele atraso o seu problema pode ser resolvido facilmente com um relógio novo.

Silêncio. Carlos continua sério. O médico fica sem graça.

- Não é isso, doutor. Veja bem, segunda-feira retrasada eu saí de casa às 8h30 e cheguei ao trabalho às 9h15. Quinze minutos atrasado. A semana inteira foi mais ou menos assim. Na semana passada eu passei a sair de casa às 8h15, mas continuei chegando no trabalho às 9h15. E no meu relógio eu continuei levando 45 minutos para chegar ao escritório.

- Desculpe perguntar, mas o senhor consome algum tipo de droga? Principalmente barbitúricos.

- Não, doutor. Só uma cervejinha de vez em quando.

- Interessante. Você costuma chegar atrasado a outros compromissos?

- Não. Basicamente só me atraso para o trabalho. Pensando bem, antes eu chegava atrasado às aulas de quinta na faculdade.

O médico fica intrigado. Ele realiza alguns testes de reflexo em Carlos. Tudo está normal.

- Certo. Vou pedir alguns alguns exames. Confesso que nunca vi nada igual. Também precisarei pesquisar esse assunto. Vamos marcar uma nova consulta para a próxima semana. Se possível arranje um cronômetro para marcar o tempo do seu translado e anote.

Uma semana depois.

- E então, Carlos, alguma novidade?

- Tudo na mesma, doutor. Ontem foi até pior. Saí de casa às 7 da manhã e cheguei ao escritório 9h10. Se eu fosse um pouco mais superticioso.

- Eu pesquisei alguns casos semelhantes ao seu, entretanto não cheguei a nenhuma conclusão. De acordo com seus exames você é um homem bastante saudável.

- Meu Deus, o que eu vou fazer?

- Olha, Carlos, tomei a liberdade de marcar uma reunião com um especialista que achei nas minhas pesquisas. Se você estiver disposto nós podemos ir falar com ele.

- Quem é esse especialista?

- O nome dele é Dr. José Melengue. Ele é um geneticista controverso, devo admitir, mas é a única pessoa a estudar o que ele mesmo batizou de ´deslocamento temporal individual anômalo´. O que você me diz?

Carlos fica em silêncio.

- Hmmm, acho que nem precisa de tanto trabalho. Isso nem chega a atrapalhar muito a minha vida. Vou conversar com o meu chefe e mudar meu horário para 9h15. Eu invento uma história e acho que não terá problema. Obrigado por tudo.

Na quarta-feira Carlos conversa com o chefe que aceita mudar o horário dele. Na quinta Carlos chega ao escritório às 10h15.



Escrito por Michele e Kleber às 17h11
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K - 17

DIA DE HERÓI

Por Kleber de Sousa

Na hora do almoço.

Canal 21 - Notícias da Manhã

...a cidade foi salva de mais um ataque do terrível Monstrozila. Enquanto a inconsciente criatura é levada por cinco helicópteros do exército, o Capitão Ultra traz a última mulher que estava presa nos escombros do prédio...CLIC!

- Caramba, você foi realmente resgatada pelo Capitão Ultra! Não acredito!

- É minha amiga... Ele me carregou do centro até a zona de segurança da polícia...

- E...

- E ele foi super gentil e atencioso.

- E...

- Ai. E eu o convidei pra jantar. E ele aceitou. Todo tímido. Aquele corpo perfeito e aquela carinha...aiai. Acho que estou apaixonada.

- Vai fundo amiga.

Às 22h em ponto, no apartemento dela.

- Olha, não repara a bagunça. Eu ia arrumar tudo, sabe, mas demorei muito tempo pra me arrumar...

- Nossa, assim fico sem jeito.

- Não, não. Que é isso. É que, sabe, não é todo dia que a gente sai com um super-herói.

- Que nada. Nós somos pessoas como todas as outras. A única diferença é que o nosso trabalho tem um pouco mais de riscos.

- Bem, espero que você goste de lagosta.

- Adoro.

Depois do jantar.

- Ainda bem que a noite foi tranqüila. Nenhuma invasão alienígena. Nenhum terrorista.

- É mesmo, mas já está ficando tarde. Melhor eu ir andando...ou voando.

- Espera - ela pega na mão do herói. Eles se olham por um instante. O Capitão Ultra acaba desviando o olhar.

- O problema é que eu não tenho, como dizer, muita experiência com mulheres. E não quero estagar a sua noite.

- Estragar...isso é tãooo lindo.

À 1h30 da manhã!

- Nooossaa! Pára um minuto se não eu vou morrer!

- Claro. Desculpe-me se eu fiz alguma coisa errada.

- Errada!? Não, não. Você acertou tudo...

BIIP BIIP BIIP BIIP

- O que é isso? Seu relógio?

- Não. É o comunicador de emergência. Problemas em Manhattan. Tenho que ir.

E como um raio, o Herói das Multidões voa pela janela deixando uma mulher sonhando com um mundo melhor.

À 1h40 da manhã, no QG dos Heróis.

O Capitão Ultra, troca calmamente de roupa, quando ele é abordado pelo Sr. Sombrio.

- Putz, Sombrio, assim você me assusta.

- Diga, quem foi dessa vez?

- Quem o quê?

- Quem foi sua vítima?

- Você é muito curioso, hein. E falando assim parece que eu sou um vilão.

- Ainda não...mas diga logo.

- Foi a garota que eu resgatei do Mosntroliza. A última.

- Hmmm, eu vi as imagens. Gostosinha ela. E o que você falou pra ela?

- Usei a tática do garoto tímido. Dei a entender que eu era virgem...

- E ela acreditou?

- É claro.

- Você já parou pra pensar que a maioria das mulheres iria pra cama com você de qualquer jeito?

- Já, mas onde estaria a graça da coisa. E chega de conversa fiada. Manhattan precisa de nós.

E lá vão os heróis, em suas identidades civis, para o Clube Manhattan.



Escrito por Michele e Kleber às 17h14
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K - 16

O cientista e o carnaval

Por Kleber de Sousa

O Prof. Steinberg veio morar no Brasil nos anos 30 com sua família. Ele e sua família se mudaram para o Rio de Janeiro. Com o tempo Klaus, seu único filho, começou a trilhar o caminho dos pais. Seus estudos em criogenia estavam muito a frente de qualquer outra coisa. As horas dedicadas ao trabalho impediram que Klaus constituisse uma família. E se o trabalho não fosse problema ele certamente criaria um. Quando seu pai adoeceu nos anos 60 ele fez de tudo para ajudá-lo mas não conseguiu. Eu odeio essa carnaval, foi a última coisa que Klaus escutou do pai - como havia escutado todos os anos desde que eles se mudaram apra cá. Já nos anos 80 Klaus recebeu a trágica notícia de seu médico. Ele desenvolveu a mesma doença que havia matado seu pai décadas antes. É hereditário, disse o médico. O carnaval se aproximava. Klaus usou seus últimos recursos para montar um aparelho que o mantivesse em estase até que uma cura fosse desenvolvida. Instruções detalhadas foram deixadas na mesa de seu assistente. Ele estava preparado. Da sacada se seu laboratório podia-se escutar o som dos tambores. Um bloco carnavalesco se aproximava. Seu sangue começou a subir. Anoitecia e as ruas começavam a se encher. Homens, mulheres, crianças, adultos e velhos. E velhos, pensou o cientista. Tenho que me concentrar. Klaus voltou sua atenção para a máquina. Fez os últimos preparativos. O som ficava cada vez mais intenso. Após relutar por um instante ele ligou a máquina. Em poucos minutos uma neblina encheu o interiror dela. Era possível sentir o frio se ela fosse tocada. Na manhã seguinte o assistente abriu o laboratório e leu o recado de Klaus. Ele não sabia o que fazer. Só sabia que se a máquina fosse aberta ou desligada antes do tempo programado o professor morreira. Eles teriam que esperar 10 anos. E 10 anos eles esperaram. Na data marcada um comitê formado por cientistas de todo o mundo aguardava ansiosamente a abertura da máquina. O assistente, agora um renomado cientista a abriu. A névoa se dissipou e para o espanto de todos na sala só havia uma serpentina dentro da máquina.



Escrito por Michele e Kleber às 11h41
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K - 15

TARDE QUENTE

Por Kleber de Sousa

Jorge se sente como a personificação da Lei de Murphy. Tudo o que poderia dar errado em sua via, deu. Pelos menos nos últimos meses. Sua mulher o trai e nem se preocupa muito em disfarçar. Seu trabalho é enfadonho, sem perspectivas de melhora, e seu único amigo de verdade, T-Rex, está esperando a morte na clínica veterinária. Numa tarde de sábado abafada Jorge resolve sair para andar, sem um destino definido. Ele caminha e pensa na vida. Lembra de seus raros momentos de felicidade e tenta entender como chegou a esse ponto. Depois de virar uma esquina quase saindo do perímetro urbano da cidade ele sente um calafrio e reparou que o céu ficou nublado de repente. O que não é de se estranhar, pensou, já que a metereologia previu dia quente e ensolarado. Mais alguns minutos e Jorge se vê no alto da colina que costumava brincar quando criança. O lugar estava exatamente como sua memória se recordava. Lembrou das brincaderias e de seus amiguinhos. Ficou feliz por um instante. Voltou a sua pobre realidade com a primeira gota de chuva que atingiu sua testa. Logo uma tempestade caía sobre ele. Correu de volta a cidade e se protegeu em uma lanchonete. Acabou pedindo um refrigerante para esperar a chuva passar. Os funcionários da lanchonete não lhe eram estranhos. Pagou o refrigerante e foi sentar. Ao fundo um garoto jogava pinball. Jorge adorava pinball. Há anos ele não via uma máquina. Resolveu conferir o desempenho do garoto. O menino estava tenso, como se o jogo fosse sério para ele. Eram nas máquinas de pinball que Jorge se destacava na infância e início da juventude. E só nelas. Seu sonho era criar jogos, mas ele desistiu por uma carreira mais segura. Isso explica muita coisa de sua vida adulta. Quando perdeu a última bola o menino chutou a máquina. Jorge lhe ofereceu uma moeda para comprar mais fichas. Nervoso, o garoto gritou ´vai se ferrar, Jorge´ e foi embora. Atônito, Jorge se sentou. Aquele menino era Pedro, um colega de escola de Jorge e atual amante de sua esposa. Sem saber o que pensar ele voltou a contemplar a chuva através da janela da lanchonete e teve a grande revelação. A imagem refletida era uma que ele não via desde que tinha 10 anos. Tudo voltou como um soco no estômago. A tarde chuvosa, o encontro com Pedro na lanchonete e o acidente... Jorge o salvara na colina quando ele tentou cortar caminho sob a chuva forte. E as coisas aconteceram da mesma forma agora. Jorge escutou gritos da colina e correu para lá. O funcionário da lanchonete chamou o resgate que chegaria apenas depois de 30 minutos. Jorge salvaria Pedro e seria considerado o herói da cidade, exemplo para as coutras crianças. Fama fugaz, infelizmente. Chegando na colina ele viu Pedro se segurando com dificuldade. Sabia o que tinha que fazer, mas, ao se lembrar do que Pedro fez a ele anos depois, hesitou. O menino caiu. Jorge saiu correndo, passou pela lanchonete como um raio. Quando virou a esquina a chuva havia passado o dia estava quente mais uma vez. Ele passou em frente a uma vitrine e sua imagem era a de um adulto. Estava aliviado. Sem saber ao certo o que tinha acontecido, voltou pra casa. T-Rex estava correndo no jardim. Passou por Jorge como se ele não existisse. Sua esposa carregava uma sacola para o carro. Ela estava melhor de alguma forma. Jorge sorriu ao observá-la. Como ela estava de costas para ele não o viu. Não importa, ela não o viria mesmo que estivessem cara-a-cara. Pedro abriu a porta para ela. Ele mancava claramente. Jorge não percebeu, apenas gritou. Ninguém o notou. Assim já era demais. Os dois estavam usando sua casa como alcova. Quando tentou puxar a sua esposa pelo braço a mão de Jorge passou através dela. O casal entrou e fechou a porta. Jorge caiu no chão em desespero. A cada minuto ele sumia mais. A única coisa que poderia fazer, pensou, era retornar à colina. Saiu em disparada. Virou a esquina e o dia continuava quente e ensolarado. Perambulou um pouco e entrou na lanchonete. Sentou-se em frente ao espaço onde antes estava a máquina de pinball. O funcionário da lanchonete se aproximou dele e ofereceu um refrigerante. ´Tome, esse é por minha conta´, disse o rapaz. Ele voltou para trás do balcão e observou Jorge desaparecer.



Escrito por Michele e Kleber às 14h34
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K-14

TRABALHO DE ESCOLA - parte 1

Por Kleber de Sousa

 

- Pai, preciso da sua ajuda. O professor de educação física pediu pra gente fazer um trabalho sobre algum atleta brasileiro que ganhou medalha em olimpíadas.

- Você já escolheu algum atleta?

- Então, esse é o problema. Eu quero fazer sobre alguém do atlestismo, mas eu não quero pegar alguém batido, tipo Joaquim Cruz ou Robson Caetano.

- Chega mais. Entra no site do COB. Eles devem ter uma relação dos medalhistas.

 

- Achei, pai.

- Agora é só você escolher um.

- Que tal esse Manoel Silva?

- Não me lembro dele...

- Aqui diz que ele ganhou duas medalhas em Sidney, inclusive ouro nos 100 metros rasos.

- Nossa! E eu nem me lembro dele. Tudo bem, primeiro tenta www.manoelsilva.com.

- Nada pai. Entrou num site estranho em alguma língua estranha.

- Tudo bem, vai pro Google, digita o nome dele e coloca em notícias.

- Olha, sessenta links.

- Muito bem, você descarta essas listas de vestibular e todos que tiverem ´xxx-rated´. Entra no primeiro site.

- Esse aqui tem os dados dele, tipo data de nascimento, altura, peso, essas coisas.

- Coloca nos favoritos e dá voltar. Entra no próximo link.

- Aqui fala do Mundial Juvenil de atletismo...

- Olha tive uma idéia. Você vai fazer um trabalho, com o histórico desse cara, os prêmios dele, as últimas competições, e todas essas coisas. E você vai fazer um outro so com as manchetes e os títulos das notícias sobre ele em ordem cronológica.

- E pra que isso pai?

- Eu conheço o seu professor. Ele foi meu professor também. Vai por mim.

- Tá bom.

 

FOLHA DE SÃO PAULO

14 de junho de 1998.

Caderno de Esportes – pg. 3

DELEGAÇÃO BRASILEIRA EMBARCA PARA MUNDIAL JUVENIL NA ESPANHA

 

FOLHA DE SÃO PAULO

20 de junho de 1998.

Caderno de Esportes – pg. 3

BRASIL LEVA BRONZE NO REVEZAMENTO E BATE RECORDE SUL-AMERICANO

 



Escrito por Michele e Kleber às 00h34
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K-14

TRABALHO DE ESCOLA - parte 2

Por Kleber de Sousa

 

ESTADO DE SÃO PAULO

23 de junho de 1998.

Caderno de Esportes – pg. 1

MIGUEL SILVA É OURO E BATE RECORDE

 

FOLHA DE SÃO PAULO

15 de janeiro de 1999.

Caderno de Esportes – pg. 2

MIGUEL SILVA VAI TREINAR NOS EUA

 

JORNAL DA TARDE

10 de março de 1999.

Caderno de Esportes – pg. 3

MIGUEL SILVA VENCE NA GRÉCIA

 

O GLOBO

17 de maio de 1999.

Caderno de Esportes – pg. 1

M. SILVA CRAVA MELHOR TEMPO DO ANO E CONSEGUE ÍNDICE OLÍMPICO

 

CARTA MAIOR

22 de junho de 1999.

JOVEM CORREDOR ASSINA CONTRATO MILHONÁRIO COM PATROCINADOR

 

ESTADO DE SÃO PAULO

1 de julho de 1999.

Caderno de Esportes – pg. 1

ATLETISMO: EQUIPE BRASILEIRA SE PREPARA NOS EUA

 

VEJA – edição 1442

Novembro de 1999

Capa: MIGUEL SILVA, O GAROTO QUE CORREU DO CRIME PARA O SUCESSO

 

FOLHA DE SÃO PAULO

10 de março de 2000.

Primeira página.

MIGUEL SILVA IGUALA RECORDE MUNDIAL EM MOSCOU

 

ZERO HORA

19 de maio de 2000

Caderno de Esportes – pg. 1

MIGUEL SILVA VENCE MAIS UMA E LIDERA RANKING



Escrito por Michele e Kleber às 00h33
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K-14

TRABALHO DE ESCOLA - parte 3

Por Kleber de Sousa

O GLOBO

20 de setembro de 2000.

Primeira página.

SIDNEY: BRASIL É PRATA NOS 100M

 

JORNAL DA TARDE

22 de setembro de 2000.

Primeira página.

AGORA É DE OURO (foto de M. Silva na final do revezamento 4x100)

 

ESTADO DE MINAS

3 de outubro de 2000.

Primeira página.

PRESIDENTE RECEBE DELEGAÇÃO OLIMPICA

 

ISTO É – edição 1147

Outubro de 2000.

ESCÂNDALO NO ATLETISMO: SUSPEITAS DE DOPPING NA EQUIPE BRASILEIRA

 

ESTADO DE SÃO PAULO

3 de novembro de 2000.

Caderno de Esportes – pg. 2

EMERSON DIAS SUSPENSO POR DOPPING

 

FOLHA DE SÃO PAULO

8 de novembro de 2000.

Ilustrada – pg. 3

FAMOSOS COMPARECEM A INAUGURAÇÃO DE NOVA CASA DE PAGODE

 

DIÁRIO DO GRANDE ABC

15 de dezembro de 2000.

Policial – pg. 1

MÃE DE CORREDOR SEQÜESTRADA EM S. ANDRÉ

 

DIÁRIO DO GRANDE ABC

19 de dezembro de 2000.

Policial – pg. 1

LIBERTADA MÃE DE MIGUEL SILVA

 



Escrito por Michele e Kleber às 00h32
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K-14

TRABALHO DE ESCOLA  - parte 4

Por Kleber de Sousa

 

BABADO.COM.BR

20 de dezembro de 2000

RENATA MANGA E MIGUEL SILVA ANUNCIAM NOIVADO

 

VEJA – edição 1456

Fevereiro de 2001.

DOPPING X ESPORTE

O MUNDO DO ESPORTE DEPOIS DA MORTE DO RECORDISTA JASON MOORE

 

FUXICO.COM.BR

7 de abril de 2001.

MIGUEL SILVA E RENATA MANGA TERMINAM NOIVADO

O GLOBO

16 de maio de 2001.

Caderno de Esportes – pg. 1

CHEGA A 6 O NÚMERO DE ATLETAS SUSPENSOS PELO COB[

 

FOLHA DE SÃO PAULO

20 de julho de 2001.

Caderno de Esportes – pg. 4

M. SILVA DECEPCIONA EM BRUXELAS

 

UOL.COM.BR/ESPORTES

15 de outubro de 2001.

APÓS PÉSSIMO DESEMPENHO NO ANO M. SILVA DEMITE TÉCNICO

 

O GLOBO

3 de novembro de 2001.

Caderno de Esportes – pg. 1

EX-TÉCNICO ACUSA M. SILVA DE DOPPING

 

UOL.COM.BR/ESPORTE

10 de janeiro de 2002

M. SILVA OPERA O JOELHO

 

FOLHA DE SÃO PAULO

15 de março de 2002.

Caderno de Esportes – pg. 2

RENOVAÇÃO NO ATLETISMO BRASILEIRO

 

TERRA.COM.BR/SEXO

15 de agosto de 2004.

EX-CORREDOR VIRA ATOR PORNÔ

 

BABADO.COM.BR

8 de outubro de 2004.

EX-ATLETA DE 24 ANOS TEM PRINCIPIO DE PARADA CARDÍACA DURANTE GRAVAÇÕES DE FILME ERÓTICO



Escrito por Michele e Kleber às 00h28
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K-13

No passado o homem se perguntava se ele ele estava sozinho no universo. No início do século passado os cientistas, graças à mecânica quântica, descobriram, entre outras coisas, que nem mesmo o nosso universo está sozinho. Ele faz parte do multiverso. Dentre as inúmeras possibilidades é consenso que a maioria delas é muito semelhante uma a outra e alguns poucos casos as coisas são bem diferentes. Em uma Terra paralela o Brasil pode ser hexa-campeão de futebol em outra o futebol pode nem ter sido inventado. É com base nessa premissa que pode-se perguntar:

 

O QUE ACONTECERIA DE O SR. JOAQUIM NÃO TIVESSE BROCHADO

Por Kleber de Sousa

 

Em nosso mundo a incapacidade do pênis do Sr. Joaquim reter sangue e sua insistência em continuar tentando levou à morte prematura do jovem Onório. Mas aqui o fato transcorreu de outra maneira.

 

A vida do Sr. Joaquim seria completamente pacata, trabalhador honesto que jamais faltou ou chegou atrasado, casado e com dois filhos na escola, não fosse seu único prazer secreto. Prazer esse que ele levava a cabo no final de cada mês. Em outras palavras, hoje. É dia do pagamento e conseqüentemente o dia em que ele se encontra com Pedrinho, o primo do cobrador Josias. Todo último dia útil do mês Sr. Joaquim dá cinqüenta reais a Josias que, em contrapartida, leva o seu primo ao ponto final do ônibus, na hora do almoço, para ter com o motorista. Na cabeça do Sr. Joaquim esse é o melhor investimento que ele fez na vida. Pedrinho e o Sr. Joaquim se dirigem ao posto da empresa de ônibus próximo à parada de ônibus. O encarregado está almoçando e Josias fica de vigia.

 

Como sempre fazia nessas ocasiões o Sr. Joaquim tirou primeiro o uniforme da empresa e depois, com muito cuidado, a camisa número 10 do Vasco, que ele sempre vestia por debaixo. Doubrou-a e a colocou sobre a pequena escrivaninha. Pedrinho tratou de atacar rápido o membro do Sr. Joaquim. Normalmente Pedrinho era penetrado pelo motorista, mas como os dois haviam esquecido o preservativo hoje ficariam apenas no sexo oral. Encostado na parede do pequeno posto o Sr. Joaquim se controcia com a habilidade de Pedrinho. Para azar dele Josias dá o sinal. O encarregado se aproximava. E bem no clímax. Assustado Pedrinho se afastou o rosto e Sr. Joaquim acabou ajaculando sobre a camisa do Vasco. E ele nem percebeu pois estava com os olhos fechados. Rapidamente ele vestiu o uniforme e saiu com Pedrinho enquanto Josias destaria o encarregado.

 

14h40. De volta ao trabalho e no horário, o Sr. Joaquim dirigia o ônibus compenetradamente. Ao entrar na Rua Comendador Mendes Dário ele vê Onório afoito, fazendo sinal para o ônibus parar. Mesmo fora do ponto ele pára e o garoto sobe. Ofegando muito Onório senta no banco da frente. O que foi rapaz?, pergunta o Sr. Joaquim um pouco assustado. Tenho que tomar remédio. Em casa, reponde com dificuladade o garoto muito suado por causa da sua corrida e do calor incomum dessa tarde. O Sr. Joaquim acelera o ônibus. Ele conhece Onório que estuda com seu filho mais velho. Afoito, ele procura por sua toalha para emprestar a Onório, sem, no entanto, tirar os olhos da rua. Ele sabe que a maioria dos acidentes acontece por falta de atenção. Tome, use isso para tirar o suor, diz o motorista sempre olhando pra frente. Onório agradece enquanto estica o braço, quase sem forças para apanhá-lo. Ele limpa primeiro o rosto mas sente algo viscoso se misturando ao suor. Por engano o Sr. Joaquim deu a camisa do Vasco para ele se limpar. 14h45. Onório perde os sentidos. O cobrador percebe e avisa o motorista. Ele resolve dobrar a direita. Há um posto médico ali. Ele freia de uma vez. Com a ajuda de Josias levam o jovem ao posto gritando por ajuda. Um médico chaga rápido. Ele tenta reanimar Onório por cinco minutos. Não foi possível salvá-lo. O médico não conseguiu diagnosticar a causa da morte, precisaria de mais exames. Josias e o Sr. Joaquim deixam os números de telefone e um cartão da empresa. Eles não estavam mais em condições de trabalhar nesse dia.

 

O Sr. Joaquim não jantou. Não conseguiu. Às 22h alguém toca a campainha de sua casa. Ele vai abrir. Quatro policiais dão voz de prisão a ele. Acusação violentar e matar o menor Onório Gonçalves. Sua mulher desmaia com o nervosismo. Os exames comprovam que o sêmem encontrado na boca e no rosto de Onório são do Sr. Joaquim, entretanto não foi verficado nenhum sinal de violência e tampouco houve coito.

 

O Sr. Joaquim aguarda julgamento na cadeia municipal.



Escrito por Michele e Kleber às 22h50
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K-12

DO OUTRO LADO - pt 1

Por Kleber de Sousa

1

Onório, filho de Creide e Marco, estava voltando da aula de violão para sua casa. Andava tranqüilamente pela calçada da Rua Comendador Mendes Dário. A tarde de sábado estava ensolarada e a brisa espalhava as folhas das árvores que decoravam toda a cidade. Meio que por acaso, ou não, afinal o que acontece por acaso na vida?, Onório olha para o relógio. 14h35. O pavor toma conta do jovem. Ele esqueceu seu remédio em casa e tem que tomá-lo até 14h45. Dez minutos separam Onório de um mundo de incertezas. Ele aperta o passo mesmo sabendo que não chegará a tempo. Pelo menos não a pé. Para seu azar nenhum ônibus ou carro passa pela rua. Onde estaria seu Joaquim, o motorista da linha 15? 14h45. Onório sente um forte golpe dentro de seu peito. Ele cai. Tenta levantar. Outro golpe. Knock-out. Dá três passos e cai entre os arbustos. Violonista e violão caídos sem vida, no final da Rua Comendador Mendes Dário, em frente ao cemitério.

Seu violão a seu lado, mas bem a vista. Algumas horas depois um grupo de garotos passou pela rua. Eles encontraram o violão. Gritaram pelo dono. Ninguém respondeu. Mesmo estando bem próximo Onório jamais responderia. Ela estava morto. Os garotos correram para pedir ajuda a um velho funcionário do cemitério, Sr. Juvenal.

Três dias mais tarde e Onório ainda estava morto na moita. A situação já estava ficando chata. Ele tinha plena convicção de que havia morrido, entretanto não entendia por que sua alma não havia deixado seu corpo. E o fato de ele estar ali há três dias e nenhum de seus parente ou amigos ter procurado por ele o deprimia um pouco mais. A situação estava prestes a mudar.

- Oi, meu jovenzinho, disse uma árvore próxima de Onório.

- Hein, respondeu o finado garoto.

2

É importante salientar que o destino de Onório poderia ter sido bem diferente, não tivesse o ônibus dirigido por Seu Joaquim atrasado tanto. Fato raro na carreira de um profissional exemplar. Ainda bem que, como para a maioria das coisas na vida, isso tem uma explicação.

Era dia do pagamento e era nesse dia nesse dia que Seu Joaquim transava com Maciel, no posto da empresa de ônibus colocado no ponto final de sua linha. Seu Joaquim é cliente antigo de Maciel e, por mais clichê que a próxima frase possa parecer, isso nunca tinha acontecido a ele antes:

- É, Seu Joaquim. Pelo jeito hoje não vai dar.

- Como assim, chupa essa porra moleque.

- Sei lá, Seu Joaquim, é só uma idéia, mas se o senhor quiser eu posso te comer.

- Eu num sô viado não, moleque. Agora vai chupando logo que eu já to atrasado.

Vinte longos minutos se passam e nada. O cobrador bate na porta, avisando Seu Joaquim do horário. Ele paga Maciel a contragosto e sai meio cabisbaixo. Enquanto liga o ônibus promete a si mesmo que dará a volta por cima à noite, com sua esposa.

3

- Você é mesmo uma árvore?, pergunta Onório, ainda caído entre os arbustos.

- Sou. Qual o problema?

- Bem, nenhum. E que eu não sabia que vocês falavam. Só isso.

- Certo. Eu não posso dizer muito. Só essa conversinha está me matando. O negocio é o seguinte, umas pessoas virão te procurar. Cuidado com elas.

- E por que eu deveria acreditar em você?

- Ora, porque foi você que me plantou aqui há mais de dez anos. E Onório se lembra vagamente de uma atividade extra-classe em que ele e seus colegas plantaram árvores por toda a cidade. - Eu tenho uma divida eterna com você. E vou pagá-la. Estamos de acordo?

- Estamos.

4

Mais um dia tedioso se passou. Poucas pessoas passavam em frente ao cemitério e como poucas pessoas morriam na cidade aquela era região realmente deserta. No segundo dia um vira-lata usou Onório como marco de referência de seu território. O pobre garoto não pôde fazer nada. Até que uma velinha percebe algo diferente no canteiro perto da entrada do cemitério. Ela usa sua sombrinha para cutucar Onório. Se estivesse vivo ele certamente reclamaria dos cutucões da velha.

- Meu filho, que situação incômoda, não?

- É verdade, responde o garoto sem mexer os lábios, da mesma forma como havia falado com a árvore um dia antes.

- Aposto que você gostaria de sair daí. Que tal voltar a sua vida normal?

Onório se sentiu tentado, mas se lembrou das palavras da árvore.

- A senhora é muito gentil, mas não precisa. Eu só estou matando o tempo.

- Humpf, essas crianças de hoje. Não sabem de nada. E foi-se embora a velinha.

Alguns instantes depois a árvore volta a falar com ele.

- Muito bem ,meu amiguinho. Agora cuidado, amanhã será pior.

- Mas escuta aqui. Até quando eu vou ficar nessa situação?

- Não se preocupe, eu já estou mexendo meus pauzinhos. He he, essa foi boa...



Escrito por Michele e Kleber às 11h11
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K-12

DO OUTRO LADO - pt 2

Por Kleber de Sousa

5

Passa-se mais um dia. E ele dá lugar à noite. Onório escuta grandes asas batendo sobre sua cabeça. O grande pássaro pousa próximo a ele.

- Onório, esse não e o seu lugar. Vamos.

- Desculpe-me sr. Pássaro. Mas é meio difícil eu sair de onde estou. Eu morri, compreende?

- Sim, eu sei de tudo que se passa com você desde o seu nascimento. Sou seu anjo da guarda.

- Ah, é. Pois fique sabendo que você fez um trabalho de merda. Eu morri há quatro dias. Ninguém tirou meu corpo daqui e o pior: morri virgem. Seu inútil.

Percebendo que não poderia fazer mais nada a grande criatura alada levanta vôo.

- Ei, amigo. Chama a árvore. Nesse momento Onório começa a tentar visualizar a árvore falante. A minha imagem que sua mente constrói é aquela comum em desenhos animados: árvores com rostos nos troncos.

- Oi. Alguma novidade?

- Amanhã eu te tiro daqui.

- Beleza, árvore.

Nessa mesma noite Onório percebeu uma movimentação no cemitério. Parece que finalmente alguém tinha morrido na cidade. Alguém além dele próprio, corrigiu-se rápido. Ele escutou as vozes dos garotos que haviam encontrado seu violão e finalmente as reconheceu. Eles eram alunos do conservatório de música, assim como Onório. Será que morreu um parente deles, pensou o jovem?

6

Apesar de estranhos a princípio, árvores falantes, pessoas mortas que ainda não se foram criaturas noturnas e outras coisas são mais comuns do que se imagina. Qualquer um que conversar dez minutos com o Sr. Juvenal escutaria, pelo menos, meia dúzia historias. Só que ninguém faz isso.

Ele também costumava distribuir conselhos a todos. Nessa cidade, dizia ele, você tem que respeitar todas as coisas. Os portões das casas, os animais, os cestos de lixo e os postes. Nunca se sabe quando um deles vai se enfezar e ´dar o troco´. Nem mesmo as crianças pequenas eram perdoadas então o melhor era não arriscar. Da mesma forma as boas ações davam frutos no futuro.

O Sr. Juvenal pensa seriamente em escrever um livro qualquer dia desses. Ainda mais agora que o trabalho no cemitério está diminuindo. Uma das historias com certeza seria a da menina que batia no seu gatinho. Ela era muito novinha, mas a única coisa que o gato sabia era que ele era alvo de alguém muito cruel. O troco não tardou. Tempos depois a menina foi achada em sua casa toda arranhada. Ela foi levada para o hospital mas as infecções foram muito graves. A morte dela foi atribuída à epidemia de raiva que tomou conta da cidade. O Sr. Juvenal sabia que não era isso. Mas ninguém o escutava.

7

- Não faça nenhum barulho agora. Pediu a árvore.

- E por que isso? Eu estou morto.

- Cale-se se não meu plano não dará certo. Hoje você sai daqui. Depois disso a árvore se calou novamente.

Enquanto o enterro acontecia um homem bem vestido se sentou no canteiro, ao lado de Onório. Ele estava comendo pipoca.

- Aceita uma pipoca?

- Bem que eu gostaria, mas se o senhor não percebeu eu estou morto.

- Percebi sim. Só não entendi o que você ainda está fazendo aqui.

- Bem, eu meio que fiquei preso aqui. Ninguém achou o meu corpo.

- Ah, então é isso que você acha. Eu poderia ajudá-lo, mas vejo que já há um pacto em vigor aqui. Boa sorte pra você. Quem sabe a gente não se esbarra por aí. Ah, uma última coisa: não era você que vinha escutar as histórias do coveiro?

- Era. Por quê?

- Nada, não. Se você tivesse prestado mais atenção a elas. Agora eu preciso que ir. Ainda tenho outros compromissos essa noite.

O estranho se foi deixando Onório com seus pensamentos. Pensamentos que o levaram ao passado. Ate a segunda série. Dia do verde. A escola dele, para conscientizar as crianças dos problemas ambientais organizou uma grande atividade. Todos os alunos iriam plantas mudas de árvores e flores nativas pela cidade. A classe que plantasse mais mudas ganharia uma excursão ao parque de diversões. E eles quase ganharam a excursão. Não fosse pela última arvore plantada por um aluno da outra classe na entrada do cemitério. Cheio de desapontamento e raiva Onório foi ata a árvore recém plantada. Ele a chutou. Tentou puxa-la pela raiz, mas não conseguiu. A única coisa que ele conseguiu fazer foi amaldiçoar a árvore com todas as suas forças. Eu quero que você morra!, disse o jovem. Não demorou a raiva passou ele esqueceu desse acontecido. A árvore não.

8

- Tudo pronto, amiguinho, diz a árvore. - Você parece assustado. O que foi?

- Nada, não. Olha, eu queria desfazer o nosso acordo. Você não precisa me ajudar, sabe...

- Ah, vejo que se lembrou, interrompeu a árvore. - Agora e tarde. O que está feito está feito.

- Me perdoe, por favor. É só o que eu peço. Não fiz por mal.

- Não precisa ficar assustado. Eu não sou de guardar rancor. Feche os olhos. Quando você os abrir estará de volta em seu corpo.

Ainda assustado Onório fecha os olhos.

- Desculpa mesmo.

A árvore nada responde.

Em um piscar de olhos Onório está de volta em seu corpo. Ele está um tanto frio e respira com certa dificuldade. Seu coração está batendo. Onório está com medo de abrir os olhos. Ele aguarda mais um instante. Primeiro toca o rosto e sente sua pele. Ele abre os olhos. Ele está deitado em uma cama muito escura. Não consegue enxergar nada. Tenta se levantar e bate a cabeça. Dos lados, fechado. Fechado por todos os lados. Ele grita. Mas é difícil de se escutar alguém com sete palmos de terra sobre ele. Se o Sr. Juvenal não estivesse tão compenetrado escrevendo seu livro ele poderia ter escutado.

Parece que não demorará muito para Onório encontrar o homem bem vestido novamente.

 



Escrito por Michele e Kleber às 11h10
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K-11

TÉCNICAS DE CAÇA

Por Kleber de Sousa

 

Cara, esse negócio de narrador-personagem não é bem o que eu esperava. Não é nada do que eu esperava, pra ser sincero. Principalmente porque, apesar de eu ser tanto o narrador quanto o protagonista dessa pequena história não sou eu quem a escreve. E não há nada que eu possa fazer a respeito, pelo menos por enquanto. Droga! Vejo-me forçado a interromper minha linha de raciocínio e começar de imediato a narrativa. Antes de mais nada me apresentarei: meu nome é Francismar Almeida Filho. Minha profissão: caçador, melhor dizendo, caçador de mulheres. Eu poderia dizer que sou um imã para mulheres porque há realmente uma atração delas por mim, mas seria frio demais – além de me desmerecer.

 

Minhas caças passam por um rigoroso processo de seleção, antes mesmo de saberem que estão sendo caçadas. Só depois que eu tenho certeza da qualidade da presa eu entro em ação. Não há como errar porque eu sou preciso. Perdoem minha falta de modéstia, mas modéstia é sinônimo de falsidade. O que eu quero dizer é que sou o cara e hoje vocês me acompanharão em mais uma investida.

 

Um bom caçador sabe que a presa pode ser encontrada em qualquer lugar, basta prestar atenção. Bem, sempre vou ao trabalho de metrô e há mais ou menos um mês notei um rosto novo na minha estação. Alta, óculos, roupa social e sempre carregando livros. Isso é o que qualquer um veria. Eu, caçador exímio, vejo uma mulher intelectual mas bem cuidada, que trabalha em escritório e não está comprometida – não que esse ultimo item faça muita diferença para mim. O que eu fiz até agora: troquei minhas lentes por óculos de armação grossa, passei a usar roupas um pouco mais moderninhas e me coloquei `casualmente` no campo de visão dela. Essa estratégia aliada à minha boa aparência foi, como diria meu pai, tiro e queda. Há duas semanas a garota intelectual me olha insistentemente. Eu a ignoro. Ainda não era hora. Entretanto para a sorte dela a hora chegou. Dentro de poucos instantes ela estará irremediavelmente apaixonada por mim. Começo a mexer na mochila. Ela já me olhou duas vezes. Eu levanto o rosto. Ela desvia o olhar, e ri sem graça. Está no papo. Espero mais um instante. Na próxima estação o metrô esvazia bastante.

 

Touchet. Eu tiro da mochila meu livro favorito, Escrito nas Estrelas. Não há intelectual que resista.

 

Ué. Parece que ela se assustou com algo! Há, ela vem em minha direção... e passa direto, com a cara fechada. Intelectual nada, essa me enganou direitinho. Olha ali uma garota tatuada e cheia de piercings. Nunca peguei uma de piercing. Essa aí está com sorte...



Escrito por Michele e Kleber às 22h15
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K 10

REVEILLON

Por Kleber de Sousa

Chupa minha boceta! Ela gritou tão alto que, não fosse a algazarra da virada de ano, todo o prédio teria escutado. E eu obedeci. Eu, que era mais experiente e deveria comandar o espetáculo, tinha uma jovem me dando ordens. Claro que era exatamente isso que eu faria de qualquer jeito, mas vê-la pedindo, não, mandando, só me deixou com mais tesão. A situação toda foi inesperada: o irmão dela insistiu muito pra eu passar o ano novo com eles e ela, Karina, me foi apresentada assim que cheguei. Ela me olhou diferente, mas não me senti à vontade para fazer nada a respeito. Na mesma noite, depois de algumas cervejas, tive que liberar espaço na minha bexiga. Perguntei à Karina onde era o banheiro. Ela gentilmente me pegou pela mão e me conduziu ao andar de cima. O apartamento é duplex e no caminho vi que passamos por um lavabo. Eu não disse nada. Fique a vontade, disse ela enquanto abria a porta para mim. Acabei indo parar no banheiro do quarto dela. As crianças fazem muita sujeira no banheiro lá de baixo, ela emendou. Pode ficar a vontade, eu vou me trocar enquanto você faz xixi. ´Faz xixi´, me pareceu tão pueril que fiquei com remorso dos meus pensamentos. E eu poderia fazer tudo naquele banheiro, menos ficar a vontade. Não havia porta entre ele e o quarto. E a situação em si aumentava a tensão. Dei descarga e fui saindo do banheiro. Não havia nenhum barulho no quarto. Talvez ela tenha descido, pensei. Quando saí do banheiro senti as mãos dela me pegando pela cintura e seus volumosos seios apertados contra as minhas costas. Virei e a beijei loucamente. Para minha surpresa, mais uma na noite, ela me jogou sobre a cama e veio por cima de mim. Arrancou toda minha roupa enquanto me beijava e me acariciava. Dei atenção especial aos seios dela, divinas tetas como na música. Foi ai que vieram as palavras mágicas: chupa minha boceta. Ela abriu um pouco as pernas e eu mergulhei. Alternando lambidas nos lábios e no discreto clitóris eu a deixei pronta pra ser fodida. Só que eu não tenho pau e não achei que ela estava pronta para sentir minha boceta. Comecei então com um dedo. Logo dois e três. Karina se contorcia de prazer. E acabou por gozar tão intensamente que pensei que ela quebraria meus dedos. Ela me beijou e mais uma surpresa, ela quis retribuir. Da forma que ela começou me chupando deve ter sido a primeira vez dela. Mas a garota aprendeu rápido. Tudo já estava indo muito bem quando ela parou apenas para se ajeitar melhor e me comer com um dos peitos. Quase explodi! Um pouco antes de eu gozar ela parou novamente. A novata tinha me superado definitivamente. Karina trançou suas pernas nas minhas e nossos sexos se tocavam freneticamente. Um barulho na porta. Passos e vozes de crianças. A porta se abriu um pouco, o suficiente para deixar entrar a luz do corredor. Não ligamos. Mais passos de crianças correndo e silêncio. Não resisti mais. Karina gozou novamente logo em seguida. Depois de um longo beijo nos vestimos. Lavei a boca porque ainda poderia beijar o irmão dela naquela noite e não queria dar bandeira. Descemos deixando apenas um lençol molhado como prova.



Escrito por Michele e Kleber às 12h30
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K 08

OPORTUNIDADES

Por Kleber de Sousa

Consegui o telefone. E agora. Ligar ou não ligar? Ela pode estar ocupada, aí vai achar que eu sou inconveniente. Mas se eu não ligar vou manter meu ´status quo´, que no caso significa sem minas. E de que adianta ter conseguido o número pra não vou ligar. A pior coisa que pode acontecer é ela me rejeitar e eu voltar a fazer análise, mas até que a psicóloga era bem gostosa... Não, que pensamento ´loser´. Pára, prometi que ia parar com as expressões em inglês!! Que pensamento de perdedor. Vou ligar e foda-se. Simplesmente porque ela vale a pena, mais do que isso, ela vale todas as penas, um pavão inteiro. (Um instante de silêncio mental.) Que infame, nunca vou dizer isso a ela. Cadê o telefone?

Dez dias depois:

- Então, resumindo, eu liguei para a Marcela. Ela parecia realmente estar interessada na conversa. Agora não sei se ela só estava sendo gentil. Bem, quando eu senti que a sorte estava ao meu lado resolvi convidá-la pra sair.

- E qual foi a resposta dela?

- Ela disse que ia visitar a avó. Que fora mais ridículo. Mas isso é que eu mereço mesmo.

- Olha, Gabriel, primeiro você deveria olhar menos para os meus peitos enquanto conversamos, o jovem fica um pouco enrubescido e mexe nos óculos. - E depois você tomou a atitude certa. Você não se sente melhor por ter ligado? A angústia fazia muito mal a você.

- Bem, antes eu era angustiado, agora sou perdedor. De novo. Mas tudo bem, vou aceitar a vida.

- E por que você acha que ela deu o fora em você? Ela pode ter realmente ido visitar a avó, não?, contesta a Dra. Fernanda Marquês, a psicóloga gostosa.

- Sei lá. Que garota de 18 anos vai passar o fim de semana com a avó? Eu não conheço nenhuma.

- Na semana que vem vamos discutir essa sua atitude negativa, finaliza a psicóloga. 

Dez minutos depois:

Descendo a rua do consultório Gabriel resolve aliviar o calor com um sorvete de morango também conhecido como picolé. Enqunato aguarda seu troco ele é surpreendido pelo que ele vê do outro lado da rua: Marcela sentada tranqüilamente na praça e ao lado de uma senhora de idade. Ao ver a cena o pobre Gabriel se vê como o maior idiota do mundo, mas mesmo assim ele sorri e acaba melando a mão com o sorvete. Rapidamente ele entra na lanchonete para se limpar, mas para seu grande azar, Marcela não está mais na praça quando ele volta, agora decidido a falar com ela. E para aumentar a estranheza dele a velhinha continua lá sentada, dando migalhas aos pássaros. Sem saber bem o porquê Gabriel vai falar com a mulher.

- Com licença, senhora.

- Olá, meu jovem. Você não é nenhum tarado, né?

- Quem, eu? Não, claro que não.

- Então, o que deseja com uma velha?

- Bem... eu queria saber se a senhora sabe onde a sua neta foi?

- He he, você deve estar falando da gentil moça que me acompanhava, certo? Ela não é bem minha neta..., a velha para por um instante e volta a jogar migalhas às famintas aves. Ela veio aqui pra me ajudar, mas o trabalho dela terminou e ela foi embora.

- Eu não entendo. - responde o confuso rapaz. E a escola?

- Nada disso importa. Mas não se preocupe, com um pouco de sorte seus caminhos voltarão a se cruzar. Agora vá, pois eu também preciso ir.

Sem entender muito o que a senhora disse Gabriel se levanta lentamente. Ele coça a cabeça, pensa em fazer mais perguntas só que elas fogem de sua mente. Ao invés disso Gabriel se abaixa para amarrar seu tênis e segue andando. Algo importante se foi mas o jovem não sabe bem o que é. A velha repousa na praça enquanto ele se afasta.



Escrito por Michele e Kleber às 12h55
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K 07

TEMPO

Por Kleber de Sousa

Tempo. Taí uma coisa que sempre some quando a gente precisa dele. Agora eu estou aqui, pendurado de ponta cabeça diante de um relógio digital ligado a explosivos. E o pior, na embaixada americana. Logo eu, que adoro de paixão os Estados Unidos. Mal deixei minha filha na escola e o Bat-fone tocou. Eu sei, eu sei, ele não é vermelho, mas sempre que toca é porque a casa está caindo. Nesse caso, explodindo. Peguei meu carrinho e voei até a embaixada americana. Isso foi há quinze minutos. E o pior a última rodada do Brasileiro já está na metade. Dessa vez o Mengo leva. Tempo. É engraçado como eu acho tempo pra divagar nessas situações de estresse máximo. Esqueci de deixar o dinheiro da empregada. De novo. Espero que ela não desconte nas minhas cuecas. O pessoal lá fora tá meio tenso. Eles só vêem esse tipo de coisa em filmes. Eles devem estar imaginando aquele momento crucial, quando o herói nunca sabe se corta o fio vermelho ou o azul. Ainda bem que eu já passei dessa fase. Também depois de duas missões de paz da ONU e do treinamento especial eu já nem ligo mais. E eu nem tenho mais os pesadelos que eu tinha depois que um amigão meu morreu tentando desarmar uma mina terrestre. Isso foi na nossa pequena missão enviada ao Kwait. Será que alguém lembra do Kwait? Cara, tem alguma coisa estranha com esse mecanismo. Essa merda já tinha que ter desarmado. E o pior é que nesse minutinho que falta pra detonação não dá pra eu fugir. Pelo menos o prédio já foi todo evacuado. Cara, eu não quero morrer. E nem dá pra recorrer a ninguém, eu sou o especialista. Um rojão. Isso deve ser gol do Vasco. Saco. Se fosse gol do Mengo ia parecer a terceira guerra mundial. E agora... vou ter que cortar o vermelho... merd...

Cacete, o relógio parou. Mas parece que tudo parou. O meu relógio de pulso confirma isso. E aquele mosquitinho parado no ar não pode estar só descansando.

E o pior é que nesse minutinho que falta pra detonação não dá pra eu fugir. Pelo menos o prédio já foi todo evacuado. Cara, eu não quero morrer. E nem dá pra recorrer a ninguém, eu sou o especialista. Que algazarra é essa? Caraca, gol do Flamengo!! Tenho que ir pra casa rápido!! E agora... vou ter que cortar o azul. Perfeito. Mais uma bombinha pro meu currículo. Agora é ir depressa pra casa que o tempo urge.

Bem acima de Brasilia, na Cidade de Prata.

Senhor, desculpe incomodar...eu sei que não é da minha conta, mas veja bem, o Senhor não acha que está indo longe demais com esse negócio de voltar o tempo? Sabe, o espaço-tempo cont...

Silêncio, Pedro! Agora que o Flamengo está ganhando as coisas estão como deveriam. Aproveita que você está aí e me traga uma cerveja.



Escrito por Michele e Kleber às 08h28
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