Mi - 41

Por Michele Paiva

Quando eu era adolescente dizia que o dia que meu peito caísse eu morreria. Bem, estou viva ainda.
 
Eu sempre fui de dizer muitas asneiras.

Já disse que nunca faria coisas que hoje vivo fazendo.

E sempre coloquei minha felicidade dependente de alguma coisa. E nunca me dei bem com isso. Mas é difícil aprender que a felicidade é um estado absolutamente egoísta e que só depende da gente, enfim...

Hoje trabalho com adolescentes e tenho vontade de trucidar a maioria. Está certo que adoro muitos deles, mas tem uns que dá vontade de matar mesmo. E nem adianta eu me esforçar para lembrar de mim nesta idade, porque não rola.

Como eles se sentem tão superiores - quando estão em grupo, obviamente - e têm tanta certeza de tudo e são tão pedantes...Meu Deus, só rezo para que eles, um dia, se achem ridículos como eu o faço hoje, porque o pior será eles continuarem assim para sempre - idiotas.

Mas me desliguei dos aborrecentes essa semana. Os fofos ficaram muito sentidos, deu até vontade de chorar, mas olha que legal, eles me conheceram! E a gente conversou sobre tantos assuntos batidos, mas com tanta verdade, sem eles acharem que ia pegar mal, que acho que alguma coisa valeu a pena. Para mim, principalmente.