Arquivos

Categorias
Todas as mensagens
 Michele
 Manuela
 Kleber
 Convidados

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Blonicas
 A Quase Fotógrada - Vivi Rocha




mentes carregando
 


Manu - 16

VITÓRIA 6

Por Manuela Musitano

Na toalha da mesa, as migalhas de pão do café da manhã espetam o braço de Vitória durante o jantar. Hoje a empregada não veio, o que ajudou a deixar mais lento seu passar de tempo. Sem a experiência de um trabalho regrado, viu desnecessário o acompanhamento dos dias no calendário. Por isso, ao ser acordada pela manhã pelos gritos estridentes das crianças brincando no estacionamento do prédio, achou que já estivessem perto do Carnaval. Vitória morava em um andar mais baixo, os apartamentos costumam ser mais baratos. Percebeu-se enganada pelo frio que fazia naquela manhã de inverno. As férias escolares do meio do ano tinham começado e a paz de Vitória também. Começado de acabar. Sabia que no horário da manhã à noite, no período de um mês, seria impossível escrever qualquer coisa na sua escrivaninha do quarto. Ela se localizava, exatamente, em frente à janela. Também sabia que ia ficar mais difícil andar na rua sem esbarrar em crianças. Ela as detestava e jamais pensou em ter uma delas dentro de sua barriga para segurar o melhor dos namorados.

Com a ausência de Madalena no serviço, a casa ficava insuportavelmente suja e bagunçada. A almofada, que por acaso caiu no chão, ficará ali até a manhã seguinte, se Vitória não achar uma utilidade instantânea para ela em outro lugar. Todas as refeições foram requentadas, coisa que Vitória detestava, partindo-se do princípio que era ela quem teve o trabalho de colocar a comida da geladeira no prato e esquentá-la no microondas. Suco de frutas nem pensar. Nem lembra quando foi a última vez que trocou um doce refrigerante por uma saudável polpa de fruta.

Sem Madalena ali, teve a liberdade de fumar quantos cigarros quisesse enquanto lia o jornal. A empregada estava fazendo de tudo para que Vitória parasse com o terrível vício, depois que teve um tio vítima de câncer na garganta. Quando soube da história, Vitória teve uma incontrolável vontade de rir. Não pela morte em si do tio de Madalena, mas por lembrar de uma amiga que teve HPV no esôfago, desenvolvido depois de uma festa à fantasia na Serra. Era a promiscuidade da promiscuidade.

Entre horas dormidas e acordadas do dia, Vitória leu o jornal enviado, via elevador, pelo porteiro. Adorava saber de tudo que estava acontecendo no mundo. Já tinha até pensado em estudar Jornalismo, mas achava mais cansativo do que escrever subjetividades aleatórias e compor um livro a partir daquilo. A coluna semanal provou que Vitória nunca conseguiria ter uma vida ajustada pelos outros. Levou inúmeras broncas por atrasar a entrega do seu texto final.

O silêncio já paraiva no prédio, o que era um bom sinal para que as idéias começassem a pipocar da cabeça de Vitória. Achou de utilidade pública escrever sobre a relação patroa-empregada. Então, seu papel começou a ser preenchido:

"Quem é o louco que contrata um espião para observá-lo de dentro de sua casa?"



Categoria: Manuela
Escrito por Michele e Kleber às 12h21
[] [envie esta mensagem
] []





K 08

OPORTUNIDADES

Por Kleber de Sousa

Consegui o telefone. E agora. Ligar ou não ligar? Ela pode estar ocupada, aí vai achar que eu sou inconveniente. Mas se eu não ligar vou manter meu ´status quo´, que no caso significa sem minas. E de que adianta ter conseguido o número pra não vou ligar. A pior coisa que pode acontecer é ela me rejeitar e eu voltar a fazer análise, mas até que a psicóloga era bem gostosa... Não, que pensamento ´loser´. Pára, prometi que ia parar com as expressões em inglês!! Que pensamento de perdedor. Vou ligar e foda-se. Simplesmente porque ela vale a pena, mais do que isso, ela vale todas as penas, um pavão inteiro. (Um instante de silêncio mental.) Que infame, nunca vou dizer isso a ela. Cadê o telefone?

Dez dias depois:

- Então, resumindo, eu liguei para a Marcela. Ela parecia realmente estar interessada na conversa. Agora não sei se ela só estava sendo gentil. Bem, quando eu senti que a sorte estava ao meu lado resolvi convidá-la pra sair.

- E qual foi a resposta dela?

- Ela disse que ia visitar a avó. Que fora mais ridículo. Mas isso é que eu mereço mesmo.

- Olha, Gabriel, primeiro você deveria olhar menos para os meus peitos enquanto conversamos, o jovem fica um pouco enrubescido e mexe nos óculos. - E depois você tomou a atitude certa. Você não se sente melhor por ter ligado? A angústia fazia muito mal a você.

- Bem, antes eu era angustiado, agora sou perdedor. De novo. Mas tudo bem, vou aceitar a vida.

- E por que você acha que ela deu o fora em você? Ela pode ter realmente ido visitar a avó, não?, contesta a Dra. Fernanda Marquês, a psicóloga gostosa.

- Sei lá. Que garota de 18 anos vai passar o fim de semana com a avó? Eu não conheço nenhuma.

- Na semana que vem vamos discutir essa sua atitude negativa, finaliza a psicóloga. 

Dez minutos depois:

Descendo a rua do consultório Gabriel resolve aliviar o calor com um sorvete de morango também conhecido como picolé. Enqunato aguarda seu troco ele é surpreendido pelo que ele vê do outro lado da rua: Marcela sentada tranqüilamente na praça e ao lado de uma senhora de idade. Ao ver a cena o pobre Gabriel se vê como o maior idiota do mundo, mas mesmo assim ele sorri e acaba melando a mão com o sorvete. Rapidamente ele entra na lanchonete para se limpar, mas para seu grande azar, Marcela não está mais na praça quando ele volta, agora decidido a falar com ela. E para aumentar a estranheza dele a velhinha continua lá sentada, dando migalhas aos pássaros. Sem saber bem o porquê Gabriel vai falar com a mulher.

- Com licença, senhora.

- Olá, meu jovem. Você não é nenhum tarado, né?

- Quem, eu? Não, claro que não.

- Então, o que deseja com uma velha?

- Bem... eu queria saber se a senhora sabe onde a sua neta foi?

- He he, você deve estar falando da gentil moça que me acompanhava, certo? Ela não é bem minha neta..., a velha para por um instante e volta a jogar migalhas às famintas aves. Ela veio aqui pra me ajudar, mas o trabalho dela terminou e ela foi embora.

- Eu não entendo. - responde o confuso rapaz. E a escola?

- Nada disso importa. Mas não se preocupe, com um pouco de sorte seus caminhos voltarão a se cruzar. Agora vá, pois eu também preciso ir.

Sem entender muito o que a senhora disse Gabriel se levanta lentamente. Ele coça a cabeça, pensa em fazer mais perguntas só que elas fogem de sua mente. Ao invés disso Gabriel se abaixa para amarrar seu tênis e segue andando. Algo importante se foi mas o jovem não sabe bem o que é. A velha repousa na praça enquanto ele se afasta.



Categoria: Kleber
Escrito por Michele e Kleber às 12h55
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]